sábado, 22 de setembro de 2012

Hoje, nenhum olhar

O dia avança numa página branca amputado de palavras agridoces, restaram os monossílabos ondulantes entre o caos e a ambiguidade ácida dos sentidos, vagamente perfumados. As letras não fervilham no dedilhar dos dedos intermitentes na caneta. Hoje emudeci, fui atraída pela dança rodopiante dos ponteiros do relógio, pendurei os sonhos no ponteiro maior, hirsutos como brasas apagadas, cinzentos. As frases atropelam-se nuas e confusas nada parece amortecer esta página oca. Sim, hoje parti definitivamente de mim, vogo ao acaso no leito de ti lentamente, sem corrente, sem rumo, sem sobressaltos… Hoje, nenhum olhar no mundo vai desengaiolar as frases voláteis, vou ficar em silêncio. Shiuuu…, não me dês palavras, almas em onda ou olhares, deixa-me entregar a página rigorosamente em branco, o que escreveria hoje, jamais teremos oportunidade de ler.

1 comentário:

Alexandra disse...

Afinal o vazio estava prenhe de sentidos... adorei o teu texto.

Beijinho.