
O teu sorriso é um luminoso isco manipulador,
com cheiro de saliva proibida e murta fresca.
Hipnotizada cada dia nessa voragem de dinamite,
finjo para ti a mansidão calma do luar primaveril.
Só nas noites com encruzilhadas de demência
percebo que testas em mim a teoria de Pavlov,
fico condicionada pelo estímulo do teu olhar estrelar
e só penso numa recompensa perigosamente doce...
De cima do meu orgulho, combato-te enraivecida,
fujo para a segurança dos muros nus caiados,
repetindo maquinalmente a mesma pergunta:
«Afinal e na verdade que posso esperar de ti? »
- Nada, eu sei... a não ser sentir-me o cão de Pavlov
salivando à espera de uma recompensa frugal,
por ter cedido ao teu sorriso de Anjo-mau.
Bem sabes que isso jamais te darei o gosto de ser...
assim, à falta de uma arma acutilante nas mãos
dou-te a pólvora seca deste olhar, pronto a matar-te ,
enquanto trauteio “...You`ve a fast gun...” dos Pavlov`s Dog...